A taxação do aço e alumínio brasileiro em 25% pelo governo Trump e os efeitos na economia

O Bradesco disse que as tarifas de 25% sobre as importações dos Estados Unidos de aço teriam impacto de até US$ 700 milhões nas exportações do Brasil. O banco publicou relatório na 4ª feira (12.fev.2025) sobre o aumento de tarifas dos produtos.
Há estudos preliminares que indicam que se for mantida essa tarifa de 25% sobre o aço, o Brasil poderia ter perdas de US$ 6 bilhões, Além do impacto importante para as companhias brasileiras exportadoras da commodity, essa queda nas exportações poderá alterar o resultado da balança comercial brasileira. Se essas tarifas forem mantidas, isso pode pressionar o dólar para cima, porque vai ter menos entradas de dólares via balança comercial.
O Brasil é o 9o produtor de aço do mundo e Minas Gerais é o estado maior produtor de aço brasileiro. Segundo dados da Amcham - Câmara Americana de Comércio - em 2024, o Brasil exportou mais de US$ 5,7 bilhões em aço e ferro para os Estados Unidos, principal destino das exportações brasileiras. No mesmo ano, o Brasil exportou US$ 267 milhões em alumínio para o mercado americano, equivalente a 16,7% das vendas globais brasileiras.
Uma alternativa a considerar é as empresas brasileiras passarem a vender mais para o nosso mercado doméstico – até porque a maioria da nossa produção já é destinada ao consumo interno. Pode ser uma oportunidade interessante, a gente pode vender uma cota maior aqui dentro, no Brasil, o que vai aumentar a oferta e fazer cair o preço interno, e isso inclusive pode estimular a indústria. Uma outra alternativa seria o Brasil encontrar outros parceiros comerciais que possam absorver a demanda dos EUA, mas isso é um processo mais lento de adequação e mudança.
Além disso, as tarifas não devem afetar o setor siderúrgico de forma uniforme, diz Rodolfo Olivo. “O Brasil exporta tanto produtos de aço semi-acabados quanto o aço já acabado, como chapas e tubos. Para os produtos semi-acabados, as siderúrgicas americanas são bastante dependentes. Então, elas também sairiam prejudicadas, porque o custo delas vai aumentar”, diz ele. Numa possível negociação, essa dependência das indústrias norte-americanas pode ser uma carta importante para o Brasil.
Para muitos, essa possibilidade de negociação não deve ser descartada, deve ser estimulada! Vale lembrar que na semana passada mesmo o presidente americano divulgou que iria taxar os produtos do México e Canadá, mas negociou um meio termo com ambos os países dias depois.
Em nota, a Amcham destaca que a indústria siderúrgica brasileira tem significativo grau de integração com os Estados Unidos. “Em 2024, as empresas brasileiras importaram US$ 1,4 bilhão em carvão siderúrgico americano, utilizado para a produção do aço no Brasil”. Além disso, “O aço brasileiro é um insumo estratégico para a indústria americana. O Brasil, por sua vez, importa um volume relevante de bens fabricados com aço nos Estados Unidos, incluindo máquinas e equipamentos, peças para aeronaves, motores automotivos e outros bens da indústria de transformação. Com as sobretaxas, há o risco de redução das importações brasileiras desses produtos de origem norte-americana”, lembra a associação. “A Amcham Brasil espera que os governos do Brasil e dos Estados Unidos busquem uma solução negociada para preservar o comércio bilateral, que tem registrado recordes nos últimos anos, com ganhos para ambas as economias e expressivo superávit para o lado americano”, conclui a nota.
“Eu acredito que pode haver uma flexibilização, por vários motivos. Primeiro, porque o Brasil é um parceiro estratégico para os Estados Unidos, especialmente na questão dos semi-faturados, mas também no minério de ferro, pela proximidade geográfica. Outros grandes produtores mundiais, como a Índia e a China, estão muito mais longe, então o frete é muito mais caro. E o Brasil tem uma das maiores reservas de minério de ferro do mundo”, resume Olivo.
Outra questão levantada é que a indústria dos EUA é composta de alguns setores e correntes empresariais que se preocupam com as medidas de Trump e o receio de entrar menos aço nos Estados Unidos, pois algumas indústrias operam em Just in Time; e a falta de aço provocaria grandes problemas contratuais para atender as encomendas. Eles indicam que a melhor alternativa é negociar esse percentual tarifárico, entendem que 25% é um percentual alto e observam que em 2018 chegaram à um denominador comum. Existe então experiências bilaterais dessa negociação, o que pode faciilitar o entendimento entre as partes.
FONTE: BoraInvestir - UNIDIS

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