Divagações de um isolamento social

Imagem: https://www.bombeiros.go.gov.br/sem-categoria/ponderacoes-sobre-isolamento-social.html
Já são duas horas da manhã, não consigo dormir. As dúvidas e incertezas me assaltaram, não sei se amanhã posso sair. Estou preso em minha própria casa, não posso visitar meus amigos, parentes e eles também não podem sair de suas casas. Todos estamos presos, somos todos prisioneiros, reféns de um vírus mortal.
Se sair as ruas posso ser contaminado pela mortal praga que tomou conta do planeta terra. Tenho de ficar isolado, preciso ficar isolado. Mas percebo que com o tempo o isolamento social está afetando minha mente, não consigo pensar direito. Cada dia durmo menos, cada vez consigo comer menos e os dias isolado, parecem intermináveis.

Em meio ao caos, em meio ao desespero, minha mente começa a ser bombardeada por versos, um melhor que o outro e como sempre acontece, a beira da loucura, perto da insanidade, a poesia vem me salvar. Agora sei porque estou chorando, não é por mim, nem porque estou sentindo algum tipo de dor, mas choro por muitas outras coisas que estão acontecendo no mundo e nada podemos fazer para que elas parem de acontecer.
Agora sei que estou chorando pelas milhares de pessoas que pereceram vítimas do terrível vírus. Suas famílias também choram as suas mortes, sentem saudades de seus entes queridos em cada canto que olham, não veem mais o rosto querido. Os seres humanos estão sendo mortos aos milhares todos os dias e parecem que tão cedo isso não vai parar.
Choro pelos milhares de pais que se foram e deixaram suas famílias desamparadas, nem conseguiram se despedir, antes de fazer sua derradeira viagem. Não houve abraços, nem adeus, receberam um caixão lacrado em suas casas e nem puderam velar o corpo de seu pai. Isso corta o coração! O peito fica pesado e a alma em frangalhos, nem mesmo na morte conseguimos nos despedir de nossos entes querido, que não conseguiram vencer a batalha e pereceram vítimas da peste que tomou o mundo de assalto.
Mães que saíram para uma simples consulta, tentando encontrar alívio para o mal que as afligiam e nunca mais retornaram aos seus lares com vida. Foram diagnosticadas com a praga, isoladas e tiveram que morrer sozinhas. Nem um de seus entes queridos estavam lá para ajudá-las, não haviam rostos conhecidos para passar algum tipo de segurança aos seus olhos cansados, quando fecharam pela última vez. Tiveram que morrer em um lugar estranho, sozinhas, isoladas, sofrendo com a sua derradeira falta de ar, sentindo-se sufocadas, até seus pulmões explodirem e com isso levando sua vida também.

Milhares de sonhos foram interrompidos, milhares de projetos que não serão concluídos. A praga continua assolando o mundo e ninguém ainda está a salvo de ser a próxima vítima. Para todos a tristeza é imensa, em um dia estamos com nossos amigos e entes queridos e em outro dia, isolado. Precisamos ficar sem contato com o mundo exterior, sem contato com alguém, pois em um simples cumprimento, um aperto de mão, podemos perder nossas vidas.
É triste saber que hoje deixamos de ser espontâneos, não devemos abraçar nossos amigos, nem mesmo um simples aperto de mão. Os afagos se foram e até o nosso sorriso ficou oculto por uma famigerada máscara, que tampa a beleza do rosto humano. O pior de tudo é que nem em nossas casas estamos salvos e hoje um pai ao chegar ao seu lar não pode simplesmente abraçar seus filhos, antes de uma completa higienização. Quando isso acontece até a mais bela pedra, a beleza do ouro, perde seu brilho.
Diante da pandemia muitos seres humanos se perderam, não souberam o que fazer quando precisaram ficar em suas casas. Sentiram-se pobres porque somente tinham dinheiro. Sentiram-se feios, porque somente tinham beleza. Eram muito espertos para trapacear seu próximo, mas sem contato com eles, não tinham o que fazer. Viviam uma mentira e em meio a confusão da pandemia perderam suas vidas, pois nunca tiveram identidade.
Também em meio confusão da pandemia muita gente boa se foi para sempre deste mundo, seus espíritos foram requisitados para um plano superior. Os que ficaram choram suas ausências, sentem saudades, mas deveriam pensar porque ficaram nesse mundo. Diante de tantas mortes foram escolhidos para ficarem um pouco mais na terra, sua jornada com a pandemia ainda não encerra, precisam ficar mais um pouco por aqui, mas por quê?

Parece que esta mesma natureza está enviando um recado, recorrendo a algo que já aconteceu no passado, fazendo um simples e minúsculo vírus controlar a ganância dos seres humanos. Mas, quem está pensando nisto? Parece que os seres humanos continuam a pensar em si mesmos e somente quando as coisas não funcionam, a máquina emperra, se unem para salvar suas peles. Se unem mais ou menos, unidos mesmos, nunca estivemos.
Cada um procura por suas prioridades, cada qual segue seu rumo sozinho, acredita que não precisa de uma amizade. Quem sabe os abraços nos foi retirado para que pudéssemos sentir falta deles e saber o quanto necessitamos de nossos semelhantes. De nada adianta muito dinheiro, se nada há para comprar. Não adianta um bom plano de saúde, se nossas vidas ele não pode salvar. Por isso as lágrimas teimam em rolar pela minha face, lembrando a pobreza de espírito do nosso mundo.
Em meio as divagações de um isolamento social, vejo mais um dia raiar. Não dormi, passei a noite pensando e colocando meus pensamentos no papel. Precisava fazer isso, precisava desabafar, pois em meio ao isolamento, a loucura da solidão tomou de assalto minha mente e somente as letras, poderiam me salvar.
Mas o mundo continua seu curso, mais um novo e ensolarado dia está nascendo, mas devo continuar isolado. Não posso sair, a menos que seja inteiramente necessário, caso contrário, poderei ser a próxima vítima, o próximo número a engordar as estatísticas que não param de crescer. A conscientização precisa partir de mim, para meu bem e para o bem do meu próximo.

Cansado pela noite de insônia, exausto pelas milhares de sensações que senti, percebo que já não há mais lágrimas para escorrer, meus olhos secaram, resta somente um gemido, que aos poucos também vai sumindo, ficando na memória somente a lembrança deste triste lamento. Assim como o novo dia vai nascendo, acredito que uma nova realidade vai despontando, onde teremos um mundo melhor, com seres humanos melhores.
Os seres humanos precisam pesarem melhor, tomarem melhores decisões, preocuparem-se mais com o essencial e menos com o supérfluo, pensar menos em faturar, lucrar e mais em contribuir. A terra deixou seu recado, levando milhares de seres humanos para serem envolvidos em seu eterno manto. Cabe a nós que ficamos entendermos o recado, caso contrário, continuaremos a sofremos as consequências de nossos atos, e muitos inocentes pagando com suas vidas, por nossos erros.
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