Sergio Weinfuter

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Mamonas assassinas, a banda que fez o Brasil cantar, dançar e chorar - Parte I


Mamonas assassinas, a banda que fez o Brasil cantar, dançar e chorar - Parte I

                                       Imagem:  https://pt.wikipedia.org/wiki/Mamonas_Assassinas_(%C3%A1lbum)



Ao falar em Mamonas assassinas os nomes Dinho, Samuel, Júlio, Sergio e Bento nos vem a lembrança, junto com as letras de suas irreverentes músicas. A banda Mamonas assassinas foi um grupo de rock brasileiro cômico. Suas letras divertidas e irreverentes caíram rapidamente no gosto do publico jovem e logo elas viraram uma febre nacional.


Quem não viveu nessa época nunca saberá o tamanho da paixão que tomou conta dos brasileiros por esta fantástica banda. Por alguns instantes esquecíamos de todos os nossos problemas e mergulhávamos em uma infinidade de sentimentos, indo do riso ao choro e vise versa, em questão de segundos. A banda tocou em todas as regiões do país, viajando de norte a sul, todos queriam assistir a este fenômeno musical, na qual mamonas assassinas havia se transformado.


Oficialmente a trajetória da banda começou quando “Em março de 1989, Sérgio Reoli, ao trabalhar na Olivetti, conhece Maurício Hinoto, irmão de Bento. Ao saber que Sérgio é baterista, Maurício decide apresentar o irmão, que toca guitarra. A partir daí, Sérgio conhece Bento e decidem criar uma banda.” (mensagemcomamor, 2019)


137e6ec8.jpgPorém “Na época, Samuel Reoli, irmão de Sérgio, não se interessava em música, preferindo desenhar aviões. De repente, porém, ao ver Sérgio e Bento ensaiarem em sua casa ele se interessou pela música e passou a tocar o baixo elétrico, estava formada assim a cozinha com baixo, guitarra e bateria.” (mensagemcomamor, 2019) Desta forma foi iniciada a primeira versão da banda que ainda não se chamava pelo nome que ficou conhecida.


Após várias horas de ensaios e muita dedicação “Os três formaram o grupo Utopia, especializado em covers de grupos como Ultraje a Rigor, Legião Urbana, Titãs, Paralamas do Sucesso, Barão Vermelho, Rush,etc...” (mensagemcomamor, 2019) Assim começaram a fazer algumas apresentações na periferia de São Paulo.


Em mais uma das muitas coincidências do destino, um novo integrante entraria para banda de forma inusitada. Isto aconteceu “Em um show, em Julho de 1990, o público pediu para tocarem uma música dos Guns N Roses, e como não sabiam a letra, pediram a um espectador para ajudá-los.” A sorte estava lançada e “Alecsander Alves, conhecido como Dinho, voluntariou-se para cantar e provocou grandes risadas da platéia, (sic) com sua performance escrachada, garantindo o posto de vocalista da banda. Através de Dinho, entrou o quinto integrante da banda, o tecladista Júlio Rasec.” (mensagemcomamor, 2019)


Mesmo fazendo algum sucesso em sua região as dificuldades da banda eram enormes, mas eles continuaram e cada vez mais “O Utopia passou a apresentar-se na periferia de São Paulo, e lançou um disco que vendeu menos de 100 cópias.” (mensagemcomamor, 2019) Infelizmente para eles parecia não estava dando certo, ainda.


Com as crescentes dificuldades o grupo procurava uma alternativa que os levassem a fazer sucesso de alguma forma e alavancar a banda, tirando-a do quase anonimato que se encontravam. Essa saída foi encontrada no meio da própria banda quando “Aos poucos, os integrantes começaram a perceber que as palhaçadas e músicas de paródia que faziam nos ensaios para se divertirem eram mais bem recebidas pelo público do que os covers e as músicas sérias.” Sendo assim logo “Começaram introduzindo devagar nos shows algumas paródias musicais, com receio da aceitação do público, mas eles perceberam que o público aceitava muito bem as músicas escrachadas, foi aí a chave para o sucesso da banda.” (mensagemcomamor, 2019) Haviam encontrado o caminho!


bc7067c0.jpgLogo deixaram as músicas sérias para trás e começou a gloriosa e vitoriosa trajetória da nova banda. Em seguida “Através de um show em uma boate em Guarulhos (SP), conheceram o produtor Rick Bonadio (mesmo empresário da banda de Santos, Charlie Brown Jr.). Gravaram duas músicas, Pelados em Santos e Robocop Gay e decidiram, então, mudar o perfil da banda, a começar pelo nome, "Mamonas Assassinas do Espaço", criado por Samuel Reoli e reduzido para "Mamonas Assassinas". (mensagemcomamor, 2019)


Com o estranho, mas sugestivo nome de Mamonas Assassinas, sua banda logo abalaria as estruturas do país, arrastando multidões cada vez maiores para seus shows. A princípio os adultos não gostaram muito das músicas da banda, mas elas caíram no gosto da molecada e adolescentes que não paravam de cantá-las em todos os lugares, inclusive em apresentações nas escolas brasileiras. Para uma banda que tinha as crianças ao seu lado, pouco importava a opinião de adultos turrões.  O sucesso da banda seria alavancado em grande parte pelas crianças.


Para gravação de seu primeiro e único disco “A banda enviou uma fita demo com as músicas "Pelados em Santos", "Robocop Gay" e "Jumento Celestino" para 3 gravadoras, entre elas a Sony Music e a EMI. Rafael Ramos, amigo da banda, baterista da banda Baba Cósmica e filho do diretor artístico da EMI, João Augusto Soares, insistiu na contratação.” (mensagemcomamor, 2019)


Tamanha foi a insistência de Ramos que João resolveu verificar do que se tratava e logo “Após assistir uma apresentação do grupo em 28 de Abril de 1995, João Augusto resolveu assinar contrato com os "Mamonas". (mensagemcomamor, 2019) O sucesso da banda foi imediato, logo eles não paravam de tocar suas músicas em todas as rádios brasileiras.


Imediatamente “Após gravar um disco produzido por Rick Bonadio (apelidado pela banda de Creuzebek), os "Mamonas" saíram em imensa turnê, apresentando-se em programas como Jô Soares Onze e Meia, Domingo Legal, Programa Livre (no SBT), Domingão do Faustão, Xuxa Park (ambos na Rede Globo) e tocando cerca de 8 vezes por semana, com apresentações em 25 dos 27 estados brasileiros e ocasionais dois shows por dia.” (mensagemcomamor, 2019)


Com o imenso sucesso artístico da banda também venho o sucesso financeiro de seus integrantes e “O cachê dos "Mamonas" tornou-se um dos mais caros do país, variando entre R$50 e 70 mil, e a EMI faturou cerca de R$80 milhões com a banda.” Mas nem por isso eles pararam de fazer shows que continuaram de norte a sul do Brasil. Todos queriam cantar e dançar com os Mamonas assassinas, Em seu auge “[...] a banda vendia 100 mil cópias a cada dois dias.” (mensagemcomamor, 2019)

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Todos os locais queriam um show da banda que virou sensação no país e até quem havia recusado dar uma oportunidade a eles, agora tinham que se dobrar ao seu sucesso. Um dos casos mais emblemático que os integrantes da banda gostavam de relatar aconteceu “Em 1992, quando eram o Utopia, os integrantes tentaram tocar no Estádio Paschoal Thomeo (conhecido como Thomeozão), em Guarulhos, porém foram expulsos pelo dirigente do mesmo, que considerava que a banda nunca iria fazer sucesso devido ao nome (Utopia).” A recusa no momento em que mais precisavam de uma oportunidade foi um duro golpe, mas “Em Janeiro de 1996, porém, já como Mamonas, os cinco lotaram o estádio.” (mensagemcomamor, 2019)


Anteriormente a banda havia solicitado aos dirigentes do estádio Thomeozão uma oportundade para tocar no local, fazendo uma preliminar para uma banda famosa da época. Diante da recusa dos dirigentes que não acreditavam que a banda poderia fazer sucesso, os integrantes saíram do local tentando assimilar o duro golpe. Mas, quatro anos depois eles retornaram e não fizeram o som preliminar para ninguém, eles próprios eram a atração principal e tocaram com todas suas forças no estádio que havia tentado vetar seu direito ao sucesso. Um tapa na cara de quem não acreditava neles e tiveram que engolir o sucesso da banda.


708cc542.jpgCom o sucesso algumas de suas particularidades ficavam evidentes. Uma delas era a curiosa relação da banda e sua grande afinidade com a marca de veículos Volkswagen. Não se sabe exatamente se era proposital ou somente uma coincidência, mas “O logotipo da banda é uma inversão da logomarca da Volkswagen, colocada de ponta-cabeça, formando assim um M e um A de "Mamonas Assassinas". Um veículo da empresa alemã é citado na canção "Pelados em Santos": a Volkswagen Brasília, e na canção "Lá vem o Alemão" a Volkswagen Kombi.” (mensagemcomamor, 2019) Uma curiosa e estreita relação com a marca.


Devido ao estrondoso prestígio que tinham no Brasil “Os "Mamonas" preparavam uma carreira internacional, com partida para Portugal preparada para 3 de Março de 1996.” Infelizmente isso nunca se concretiza, pois “[...] enquanto voltavam de um show em Brasília, o jatinho Learjet em que viajavam, prefixo LR-25D - PT-LSD, chocou-se contra a Serra da Cantareira, numa tentativa de arremeter vôo (sic), matando todos que estavam no avião.” (mensagemcomamor, 2019)


A princípio não parecia ser verdade que a banda havia sofrido um terrível e fatal acidente aéreo onde vitimou todos os que estavam a bordo do avião. As notícias se sucediam nos trazendo cada vez mais arrepiantes informações sobre o acontecido e todos os fãs da banda tiveram que cair na real: Os Mamonas assassinas não estava mais entre nós. A banda que havia feito o Brasil cantar e dançar, agora unia a todos em um choro coletivo de despedida, difícil de acreditar. “O enterro, no dia 4 de Março, fora acompanhado por mais de 65 mil fãs (em algumas escolas, até mesmo não houve aula por motivo de luto).” (mensagemcomamor, 2019) Foi um dia irreal, um dia marcado a ferro e fogo na memória de todos os fãs dos Mamonas Assassinas. Mas como isso pode ter acontecido?


Continua......


Para saber mais:

_______Historia parte I. Disponível em: https://www.mensagenscomamor.com/mensagem/115003

Acesso em: 28/07/2019

_______Historia parte II. Disponível em: https://www.mensagenscomamor.com/mensagem/115008 Acesso em: 10/08/2019


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Comentários

Sergio Weinfuter

há 2 anos #1

#1
Obrigada @valeria. também sinto muitas saudades desta maravilhosa banda e quem a conheceu, jamais esquecerá.

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