Marcelo Magoga

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Mantra e Psicanálise

Mantra e PsicanáliseOs mantras são entoados como orações repetidas, no Budismo Tibetano Mahayana usa mantras em tibetano, o Zen-budismo do Japão os usa em japonês.

De acordo com o Tantrismo, cada coisa, seja qual for sua constituição, nada mais é que uma concentração de energia, uma vibração.

Toda vibração de um objeto produz uma modificação, que poderá ou não ser apreendida pelo homem.
Nos hinos do Rig-Veda, os Mantras eram apresentados como instrumentos etéreos para o homem atingir a integração da consciência humana com a consciência cósmica.

Segundo os Rishis (sábios), os Mantras impregnam o éter supremo e imperecível, onde os deuses estão presentes. A linguagem humana, nascida da utilização da voz, é a manifestação, no físico, de uma tensão psicológica gerada num plano mais sutil: o mental.

Portanto, falar gera a libertação de tensões e existem duas maneiras de falar: a mecânica, na qual a linguagem nada mais é do que o resultado de um processo “digestivo” mental onde as palavras são apenas conceitos "mal digeridos" que irão, por sua vez, ser absorvidos pelos outros para, incorporando-se em suas naturezas nervosas, serem novamente expelidos e permitir a continuação do processo.

E com ele todas as infecções psíquicas causadas pelas contaminações decorrentes da falta de higiene dos que são obrigados a viver no meio do esgoto para onde fluem os subprodutos da mente humana.

A linguagem intencional é a outra forma, nascida de uma experiência em primeira mão da realidade, é a palavra correta, não contaminada, que brota do aqui e agora. Essa palavra não contamina, mas cura.

Numa de suas obras, o psicólogo e psicanalista, Dr. Carl Gustav Jung chama a atenção para a influência através do inconsciente coletivo de certas vibrações advindas de pessoas desajustadas. “Grande aglomerações de pessoas são sempre um campo propício para epidemias psíquicas”, volume 9, do ensaio intitulado “Concerning Rebirth”.

E no volume 17 do “The Development of Personality”, relata: “As doenças psíquicas e nervosas das crianças dependem enormemente das perturbações no mundo psíquico dos pais. Todas as dificuldades dos pais refletem-se, sem falhar, na psique da criança”.

Para algumas escolas, especificamente as de fundamentação técnica, o Mantra pode ser qualquer som, sílaba, palavra, frase ou texto, que detenha um poder específico.

Mas, para essas escolas, é fundamental que pertença a uma língua morta, na qual os significados e as pronúncias não sofram a erosão dos regionalismos por causa da evolução da língua. Existem mantras para facilitar a concentração e meditação, mantras para energizar, para adormecer ou despertar, para desenvolver Chakras (centros de energia) ou vibrar canais energéticos a fim de desobstruí-los.

OS MANTRAS

Os Mantras servem para várias finalidades. Vejamos algumas relacionadas aos objetivos da psicanálise:

Libertação secundária: refere-se ao alívio de uma angustia que nos aperta até a cura de uma neurose, quando é atingido aquilo que convencionalmente chamamos de “saúde psíquica”.

Evitar a má influência: auxilia na criação de uma "barreira" contra a contaminação psíquica, de imensa utilidade, mas que continua desconhecendo as regras básicas da higiene hiperfísica.

Exorcizar os demônios: em primeiro lugar, temos que situar devidamente o que seja demônio no mundo tântrico, são como nuvens de força atraídas pelos seres de acordo com o seu estado interior (seus pensamentos e sentimentos naquele momento).

A neurose, no conceito tântrico, é a posse do paciente por um conteúdo psíquico que o infecta e destrói a sua paz. A remoção da causa, a conscientização da mesma através de várias técnicas é o verdadeiro exorcismo. 

Curar doenças: a doença é uma quebra de ritmos. Uma dissonância na harmonia natural do funcionamento do sistema psicofísico e a forma pela qual muitas doenças físicas aparecem depois de um período de incubação no psíquico, é a psicossomatização. Nesse caso, a cura é a reconstituição dos tecidos psíquicos e poderá ser acelerada pelo uso adequado do som.

Influenciar as ações e pensamentos dos outros: segundo o Tantra, podemos, mediante a repetição adequada do Mantra, auxiliar os outros. Um Mantra é um som, uma vibração. Toda vibração tem uma forma, uma estrutura e um ritmo, é um campo vibratório que atua diretamente sobre os que estão em contato direto com ele. A mãe que acalenta o filho está, na sua espontaneidade, emitindo um Mantra que produz resultados marcados.

Há uma série de fórmulas mântricas usadas com essa intenção. Esse material pode ser encontrado em obras de Mantra-Yoga.

Purificação do corpo humano: antes de certos rituais, o homem tem que se submeter a um processo de assepsia, tanto físico quanto espiritual com mantras, é uma espécie de detergente interno para a remoção da escória acumulada pela vida afora, ou mesmo de outras encarnações.

A eficiência do Mantra não é uma questão de teoria. É um segredo que se revela ao coração do homem e que depende de cada um de nós comprovar. É interessante na utilidade de clínica psicanalítica, o uso de mantras, tanto pelo terapeuta como pelo analisando.

Na Mitologia Hindu, cada deus possui seu mantra. Significa dizer que se queremos uma conexão com partes mais sublimes de nosso Inconsciente, podemos acessá-las usando os mantras correspondentes.

O Mantra atua tanto no próprio emissor como nos receptores que tiveram possibilidades de com ele entrar em ressonância. Mesmo aqueles que não ressoam, que não são autoconscientes, são beneficiados, assim como toda a coletividade.

Ao longo dos anos, os ocidentais que chegaram ao oriente tentaram explicar porque os Mantras produzem os efeitos esperados. O pesquisador britânico John Blofeld, estudioso sobre mantras e espiritualidade, notou que não é necessário saber o significado das palavras ditas e mesmo assim tem resultados importantes.

Pesquisadores defendem que o mantra possui uma energia sonora que movimenta outras energias que envolvem quem o entoa.

Para fazer o mantra é muito comum o uso do Japamala, uma espécie de rosário utilizado para contar a repetição de 108 vezes que um mantra geralmente deve ser entoado.

Consciente e Inconsciente no Budismo 

Para o Budismo a mente abarca o inconsciente e o consciente, integrada, está tudo junto e o acesso ao inconsciente pode ser feito pela meditação por exemplo. 

O Ego e o Eu é uma construção e são um somente, formando a pessoa, suas memórias, seu corpo, sentidos, enfim seu Eu. 

A Psicanálise é uma terapia baseada no valor da linguagem, tenta organizar, classificar, entender, dividir e compreender o Ser, sua complexidade, resumidamente, enquanto o Budismo “recusa” o uso da linguagem como entendemos e lança-se aos paradoxos, conseguindo assim quebrar a mente conceitual e assim as respostas às vezes são desvairadas dos monges, pois a intenção é quebrar esse valor da mente conceitual. 

O Budismo classifica as funções mentais em conceituais e perceptuais. A maior parte do tempo o a mente opera no modo conceitual, por exemplo, quando pensamos no passado e planejamos o futuro, causando ansiedade pelos eventos que podem ou não acontecer, causar medo ou raiva e a mente conceitual não está no presente, no agora, mas no mundo das ideias, não na realidade presente. A mente conceitual utiliza boa parte tempo e usa a inteligência para planejar e interagir. 

O modo perceptual da mente é geralmente esfacelado pelos nossos conceitos. A mente conceitual quando estressada, está cansada, mas podemos fazer uma pausa e acionar o modo perceptual da mente prestando atenção à respiração por exemplo. Pode ser difícil, pois temos que romper o hábito de ter ou mesmo ser um monte de pensamentos. 

Posso ilustrar com um exemplo simples a “quebra” do modo conceitual da mente, como os monges fazem quando querem explicar ou ensinar algo, antigamente nos mosteiros não existiam banheiro daí se usavam latrinas e estas deveriam constantemente ser limpas usando pás. Uma vez um mestre zen saía do banheiro e um monge lhe pergunta: “O que é Buda?” 

O monge olha para o lado e vê a pá que era usada para limpar as latrinas e responde, “esterco seco na pá”. 
O que o monge fez nesse momento foi a quebra da mente conceitual do discípulo, a primeira vista parece ser sem sentido, mas só parece. 

A mente conceitual fala dentro da meditação. Precisamos que a mente conceitual pense, planeje, coordene e lembre. Porém, uma mente conceitual que é ligada automaticamente de manhã e corre ininterruptamente por 16 horas por dia, fazendo somente uma parada de aproximadamente oito horas para dormir todos os dias e isso não é saudável. 

O saudável é explorar e desenvolver o modo perceptual da conscientização que silenciosamente atende sem comentários contínuos. Para explorar o modo perceptual, temos de superar a mente conceitual. Por exemplo, quando você está caminhando, pode deslizar para o modo perceptual, tornando-se consciente da respiração, estando presente em seu corpo ou permitindo que a conscientização esteja presente no ambiente. Dessa maneira, podemos lentamente começar a equilibrar a mente, pondo em equilíbrio os seus dois modos de funcionamento: o conceitual e o perceptual. 

Os monges tibetanos recitam mantras pois creem que assim influenciam o mundo com esses sons sagrados, o som para os monges budistas é sagrado, quaisquer sons são a manifestação de Buda, é o universo se manifestando.

Gráfico sobre Chacras

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