QUANTOS BANHOS POR DIA VOCÊ TOMA NO INVERNO? (não leve a sério e não precisa responder: trata-se somente de um título)

Ontem assisti a um filme (“Casanova e a Revolução”, com Marcello Mastroianni, França 1982), em que alguns personagens estão a fugir da França, logo no início a Revolução Francesa. A viagem durou alguns dias. Pois bem. Entende-se que estavam em fuga, preocupados, dramatizados, e que no percurso, pernoitaram em várias estalagens, onde comeram, beberam, beijaram-se, (Mastroianni foi beijado na boca - cheia de comida -, por uma personagem, sua fã, enquanto ele bebia e devorava uma boa galinha ao queijo), - Ai, que nojo, como diria Sujismundo.
Eis agora, a questão principal: em todas as paradas que fizeram, não vi nenhum deles falar em banho, (nem vou usar a palavra “tomar”, fico em “falar”). Todos eles ficaram sem banho, durante todo o filme; homens, mulheres... e com aquela roupagem exagerada, do antigamente. Chega a dar uma certa agonia na gente, mesmo que (através do filme) não possamos sentir o cheiro, (ou o fedor), dos personagens. Ainda bem que...
Sei que tomar banho não era muito comum naqueles tempos, e tenho registros de que as damas, daquela época, carregavam buquês de flores na mão, para dar uma leve disfarçada no odor exalado por quem ficava “devendo” o banho, semanal, digamos assim, para não sermos exigentes. Pergunto: e os homens, para disfarçar, carregavam o quê? Também não fediam e não fedem?
Num outro filme, faroeste de primeira, a linda mocinha foi sequestrada por meia dúzia de marginais e, a cavalo, permaneceram, dias e dias ao sol, no areal, sem qualquer riacho ou açude no cenário natural. Pasmem, (eu fiquei): sem água, sem banho, durante dias, mesmo assim, ela e o mocinho, no final do filme, fizeram “amor” daqueles de ver estrelas, literalmente, comprovando que, realmente, o “amor é cego” e, conforme o aperto, não somente cego, mas também desprovido de mais um dos seis sentidos; o olfato. Outra comprovação; a de que, de fato, a carne é fraca.
Detesto tomar banho com água fria. Certa vez, num hotel em que parei por uma noite, faltou luz no dia registrado como o mais frio do ano. Mesmo assim, tomei o meu banho. O frio era tanto que não saía água do chuveiro; somente pedrinhas de gelo e o boleto de conta da RGE – exagero e mentira à parte). Não consigo ficar sem, pelo menos, dois banhos diários. Falei isto para evidenciar que, voltando ao primeiro filme mencionado, ficou visto que aquelas pessoas tinham banheiros ao dispor. E com água quente. E por qual motivo não os usaram? Costume? Relaxamento? Preguiça? Nenhuma dessas opções me aliviará.
Noutro filme, dramático, americano, um rico executivo, todo engravatado, após um dia inteiro de trabalho no forte verão, (e havia enfrentado o trânsito), chega em casa e diz para a esposa:
- Vou trocar a roupa, pois tenho um compromisso, à noite. Dito isto, barbeou-se, trocou a roupa, em sequência contínua, e partiu para o compromisso. Ué? E o banho? Só fez a barba? E onde caíram os pelos da barba? Roupa limpa e o corpo naquele deduzível estado? Ou seja, saiu fedido de casa, sem mesmo brandir um ramalhete de flores para disfarçar o mau cheiro. Ah, sim, lembrei-me: ele nem escovou os dentes.
Por favor, gente, não “enforquem” o banho diário, com desculpa de frio. Não maltratem os seus familiares, amigos, colegas de trabalho, de escola. Eles vão agradecer...
Vem à tona aquela piada do papagaio que, para se esconder dos seus implacáveis perseguidores, entrou embaixo do vestido de uma cigana que passava. Mas, em questão de segundos, saiu em disparada, meio sufocado e gritando:
- Prefiro a morte a cheiro forte!
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